quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sem happy end


                                                     "El 'happy end' ha sido, y es, un arma ideológica 
                                                     para alertar y consolidar el conformismo en                                                                                                  
                                                     grandes sectores del pueblo".

                                                                                                     Tomás Gutiérrez Alea.




A frase é do diretor e roteirista do filme cubano Memórias del subdesarrollo (Memórias do subdesenvolvimento), de 1962. O pensamento resume bem o filme que mostra Havana nos primeiros anos após a Revolução de 1959. 

Sob o olhar de um homem de meia idade, sozinho e descontente com a mentalidade e as condições sociais de Cuba, o diretor cria o universo particular de Sérgio Carmona Mendoyo (interpretado por Sergio Corrieri) e o mistura ao contexto socio político de uma Havana que dá os primeiros passos de governo sob o comando Fidel Castro.    


 
                                                                 Sergio Corrieri: a personagem que pontua toda a história. 


Sérgio tem 38 anos, recém divorciado, foi abandonado pela mulher, perdeu o amigo que resolveu mudar de país e é sobrevive com o dinheiro de propriedades alugadas. Infeliz com a mentalidade "sub desenvolvida" de Cuba, apresenta em paralelo suas frustrações pessoais, suas faltas. Chega a se comparar com um vegetal grande mas sem frutos, sem realizações.

A densidade da personagem aumenta quando se envolve com uma mulher mais jovem. Tem um certo caso e quando tenta se livrar da mulher, é acusado pela família de seduzir a menor, que tem apenas 16 anos. Livra-se da acusação e volta ao seu universo triste, silencioso e extremamente observador: as ruas, os hoteis, as pessoas de Havana tem um olhar que diz muito sobre o contexto da época. 

Na tela o momento de efervescência: multidão calorosa, dedos em riste, batuques pelas ruas, lutas e desejo de mudança. Havana carrega em suas ruelas repletas de casarões, o olhar de futuro próspero que é desejo de quem lá vive. Realidade da  ficção dos anos 60 e da vida real na atualidade. E Sérgio segue sua rotina, feliz na medida do possível. E sem "happy end".


Texto: Marcos Corrêa

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Boa noite sampa

Sonhei que tava em Curitiba. Acordei com um calor que parecia ser Belém. Mas estava no trânsito em São Paulo. Gozada essa falta de noção espacial momentânea. Confundir onde se está, como simplesmente acordar num domingo de manhã e pensar: onde estou mesmo? Mas isso pode acontecer num cochilo rápido como foi hoje. Claro que muda com o tempo, mas se acostumar com uma outra casa, outra cidade é meio desafiante.


A correria de sampa parece que vai te enlouquecer. O trânsito, os tão xingados motoqueiros e a pressa notável em todos os passos corridos que cruzam a cidade de ponta a ponta. Pressa de chegar antes, mais rápido. E nessa corrida eu também entro. 


Mesmo diante de tanta velocidade e disparate, pode se ver um pouco de beleza. Boa noite São Paulo.